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As piores “tecnologias” de 2019

por: Carlos Natale

O ano de 2019 trouxe muitas inovações tecnológicas interessantes e promissoras, mas, nem só de sucesso viveu a TI este ano. Pensando nisso montamos uma lista com as mais tristes, ridículas e insuperáveis falhas tecnológicas do ano. Confira:

Piloto automático fora de controle da Boeing

AP Images

Primeiro o avião Boeing 737 Max, da Lion Air Flight 510, caiu pouco depois da decolagem. Um tempo depois, outro avião do mesmo modelo teve problemas. O saldo foi terrível, centenas de mortos. Em cada caso, os pilotos lutaram contra um sistema de piloto automático que assumiu o controle e mergulhou os aviões para a destruição.

Os pilotos tiveram pouco tempo para reagir a um controle de voo, chamado MCAS, sobre o qual sabiam pouco ou nada. O piloto automático foi instalado para compensar a decisão de adicionar motores maiores e mais econômicos ao avião.

O segundo acidente, do voo 302 da Ethiopian Airlines em março de 2019, expôs a culpa do piloto automático e da Boeing.

A combinação de um sistema de automação agressivo e a falta de treinamento dos pilotos se mostraram fatais. Os dois acidentes fizeram com que todas as companhias áreas que utilizavam o modelo, o aposentassem. As perdas da Boeing já estão na casa dos bilhões de dólares, e a frota 737 Max permanece à espera de uma atualização.

Fake food computer

Foto: Robin Lubbock/WBUR

O MIT é a mais importante universidade de tecnologia do mundo, mas nem ela é imune a fracassos.

Em um TED Talk de 2015 que reuniu 1,8 milhão de visualizações, o arquiteto Caleb Harper apresentou caixas hidropônicas recheadas de eletrônicos e IA, que, segundo ele, mediriam milhões de combinações de luz, temperatura e umidade. Seu projeto de Agricultura Aberta, segundo ele, foi pioneiro na “agricultura cibernética”.

Verdade? Acontece que o food computer não passava de uma caixa de cultivo gourmetizada que não funcionava muito bem. Mas Caleb Harper era bom de papo e “fertilizando” o projeto com chavões como “hackers climáticos”, “código aberto”, “microbioma” – o MIT Media Lab continuou ganhando atenção e concedendo financiamento para esse projeto. As reivindicações pela geringonça atingiram um ápice absurdo em abril de 2019, quando Harper disse que o “aprendizado de máquina” havia sido empregado para cultivar manjericão, que um comunicado do MIT chamou de “provavelmente mais delicioso” do mundo.

Em setembro a farsa foi descoberta. Pessoas que trabalhavam no projeto informaram para a mídia sobre sessões de fotos falsas (as plantas foram compradas), táticas de fumaça e espelho e violações ambientais. Em outubro, as autoridades do MIT haviam “interrompido a maior parte do trabalho” do grupo OpenAg. Tudo isso de acordo com o Boston Globe.

O bovino bacteriano

Cornell Alliance for Science

Quando uma empresa chamada Recombinetics criou uma espécie de gado leiteiro sem chifres a partir da edição de genes, ela insistiu que não eram OGM (Organismos geneticamente modificados) e, por isso, não deveriam ser regulamentados.

Mas a empresa cometeu um “pequeno” erro ao criar a espécie. Ninguém percebeu até a Food and Drug Administration (equivalente à nossa ANVISA) dos EUA dar uma boa olhada no DNA de um dos touros. A FDA viu que a empresa inseriu, acidentalmente, um pedaço de genes de bactérias.

O touro e alguns dos outros animais sem chifres, portanto, eram transgênicos. Sim, a adição de DNA bacteriano pode ter sido um erro sem intenção. A questão é que os animais acabaram sendo incinerados, o que já podemos considerar um desastre por si só, mas a Recombinetics perdeu milhões de dólares em investimentos e pesquisas para produzir esse animal.

Gaydar genético

Algumas semanas depois de um grande estudo cientifico ter identificado genes associados ao comportamento homossexual, um programador lançou um aplicativo chamado “How Gay Are You?”, “Quão gay você é?”, em tradução livre.

Por US$5,50, o aplicativo pretendia usar essas descobertas de pesquisa para calcular o nível de homossexualidade de qualquer pessoa, usando resultados de um teste de DNA como os vendidos pela empresa 23andMe.

Essa iniciativa gerou muita controvérsia na comunidade cientifica e, sobretudo, na comunidade LGBTQIA+. O aplicativo foi considerado uma “descaracterização perigosa” da ciência, pois não existe, de fatos a comprovação da existência de um gene para gay.

O aplicativo gaydar não sobreviveu à controvérsia, mas a promessa (ou o problema) das previsões genéticas estão em alta. Os cientistas de genes têm novas maneiras de vincular pequenas diferenças genéticas não apenas ao risco de doença de uma pessoa, mas a características como altura e inteligência.

Passageiros clandestinos no espaço

NASA/GSFC/ASU

Este ano, uma empresa em Israel lançou o seu primeiro módulo lunar. O lançamento não teve êxito, uma vez que o módulo caiu na lua em abril. Felizmente não havia nenhum ser humano a bordo. Mas, infelizmente, havia outros seres vivos.

Acontece que uma organização sem fins lucrativos dos EUA chamada Arch Mission Foundation havia acrescentado, secretamente, uma carga, uma cápsula cheia de tardígrados, ou ursos d’água. As criaturas microscópicas de oito pernas podem sobreviver em um estado adormecido através de condições adversas e talvez até na lua.

O conceito de proteção planetária é a ideia de que não devemos poluir outros mundos com a vida terrena. Existe a preocupação com a contaminação pois, se for descoberta vida fora da órbita terrena, é importante ter certeza de que não fomos nós, humanos, que a colocamos lá.

Sem um pouco de água, é improvável que os tardígrados “revivam” e se espalhem. Ainda assim, o episódio mostra que os códigos éticos interplanetários de hoje podem não ser suficientes para garantir a proteção planetária.

A pergunta que não quer calar é: Por que a Arch fez isso? A missão da Arch é criar um “backup” do planeta Terra e, por isso, testa tecnologias para envios duradouros de espécies, além de proteger informações de DNA, enviando para o espaço, por exemplo, insetos encapsulados em âmbar artificial. Sua carga nessa missão israelense incluía folhas de níquel nanopatternadas com 60.000 páginas da Wikipédia e outros textos.

Em uma troca de última hora, Arch e sua cofundadora New Spivackdecidiram adicionar alguns cabelos humanos, células sanguíneas e milhares de tardígrados. “Não dissemos a eles que estávamos colocando vida no módulo”, disse Spivack. “Nós apenas decidimos correr o risco.”

Telefone dobrável da Samsung

As avaliações do telefone Galaxy Fold não foram as esperadas. “Depois de um dia de uso”, twittou o revisor de gadgets da Bloomberg, Mark Gurman, em abril, junto com a foto de uma tela do smartfone “Completamente quebrada e inutilizável.”

As duras críticas de diversas pessoas fez com que a Samsung adiasse abruptamente o lançamento do telefone, dizendo que “tomaria medidas” para fortalecer a tela. A empresa reconheceu que os defeitos “podem estar associados” a uma dobradiça fraca, além de outros erros grotescos de projeto.

Inteligência Artificial tendenciosa

Diversos algoritmos foram acusados de serem sexistas, racistas e misóginos em 2019. Por exemplo, o Facebook chegou a um acordo para parar de permitir que os anunciantes discriminassem intencionalmente anúncios de imóveis e empregos, mas pesquisas mostram que algoritmos invisíveis ainda estão distorcendo os resultados. Anúncios de vagas para motoristas de táxi no Facebook eram exibidos automaticamente com mais frequência para negros e latinos e empregos de caixa supermercado para mulheres. Já o cartão de crédito oferecido pelo Apple em parceria com a Goldman Sachs liberava limites até 10 vezes maiores para homens, em uma clara discriminação com o sexo feminino.

Fonte: MIT Technology Review

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