Artigo

COVID-19: Análise comparativa — Brasil e os principais países afetados

Por: Prof. Lucas Schmidt
Senior Software Engineer na Avenue Code e Professor na Faculdade COTEMIG

No atual momento, 29 de março de 2020, estamos vivendo um cenário duvidoso, de pré-crise com a evolução da pandemia Covid-19. Tal situação ocasionou inúmeros conflitos da sociedade sobre as questões de isolamento social e posições políticas.

O intuito deste artigo é apresentar uma visão analítica/comparativa sobre o caso, possibilitando uma avaliação individual sobre o real cenário em que estamos vivendo e nossas futuras decisões.

Caso não queira ler todo o artigo, convido-o apreciar a última seção: Atenção: O primeiro mês de cada país — O período mais importante!

Os resultados apresentados aqui são frutos de processamentos baseados em data science com a utilização de recursos computacionais. Conforme apresentado, os dados utilizados são baseados no repositório de dados do Painel Visual para Coronavírus 2019 operado pelo Johns Hopkins University Center for Systems Science and Engineering (JHU CSSE) e com apoio do ESRI Living Atlas Team e Johns Hopkins University Applied Physics Lab (JHU APL): https://github.com/CSSEGISandData/COVID-19

Estruturas de análise

Os dados analisados neste primeiro momento representam o período de 22 de janeiro de 2020 a 28 de março de 2020. Além disso, apenas países como China, Itália, EUA, Espanha e Brasil são considerados neste estudo.

Gráficos

Todo e qualquer gráfico apresentado aqui, possui a mesma proporção aos demais comparados e analisados. Além disso, legendas e representação por cores possuem a mesma indicação para todos os elementos.

Legenda:

  • Amarelo = Todos os casos de contaminação
  • Verde = Pessoas recuperadas
  • Vermelho = Mortes
  • Preto = Fator de recuperação

Cenário Atual

Os gráficos abaixo apresentam uma visão holística dos países analisados neste estudo:

A China com uma situação mais confortável, neste momento, deixa evidente a taxa de pessoas recuperadas (75100) próxima à taxa do total de pessoas contaminadas (81999). O que sugere uma alta taxa de imunidade e baixa taxa de contágio. Neste caso, o fator de recuperação passou a se mostrar ascendente apenas no período de 15 de fevereiro de 2020.


Na Itália, apesar do aparecimento de pessoas contaminadas em período bem posterior ao da China, próximo ao dia 31 de janeiro, também é notável o valor elevado e com grande tendência de aumento de contaminação (92472), comparado ao país asiático. O que também permite visualizar um aumento da taxa de pessoas recuperadas (12384) superando à de pessoas mortas (10023). No entanto, o fator de recuperação ainda não mostra evidências de ascensão.


O cenário da Espanha vem seguindo um caminho semelhante ao da Itália, que apesar de apresentar aumento no número de contágio (73235) e ainda grande ascensão, é possível observar alto número de pessoas recuperadas (12285) ao contrário da taxa de mortalidade (5982), o que favorece evidências de ascensão no fator de recuperação.


Já o país Estados Unidos, apresenta valores ainda mais críticos que os demais apresentados. É evidente um altíssimo nível da curva de contágio (121478), de forma abrupta, e ainda a taxa de mortalidade (2026) acima do índice de pessoas recuperadas (1072). O fator de recuperação mostra evidências claras de queda abrupta nos próximos dias, mesmo com baixa taxa de mortalidade, já que não há evidencias de aumento de pessoas recuperadas.


Brasil, ainda em início do seu período de pandemia, não evidencia grandes subidas, descidas ou tendências. Os dados no Brasil são: 3904 pessoas contaminadas, 111 pessoas mortas e apenas 6 pessoas recuperadas. Lembrando que esta primeira análise ainda apresenta um formato macro dos dados, desde os primeiros relatos da pandemia.


Atenção: O primeiro mês de cada país — O período mais importante!

O Brasil não está indo bem! Assim começo esta análise. Em avaliação comparativa aos demais países analisados aqui, o Brasil é o que possui piores resultados no primeiro mês de análise.

*Os dados de análise da China só foram coletados para contabilização à partir do dia 22 de janeiro de 2020, data que já apresentava neste país números superiores a de 500 pessoas contaminadas. Sendo assim, não foi utilizado para análise deste resultado.

A Itália apresentou o primeiro caso no dia 31 de janeiro de 2020. Após 1 mês, os números já estavam elevados, com: 2036 pessoas contaminadas, 52 pessoas mortas e já 149 pessoas recuperadas.


Já a Espanha apresentou o primeiro caso apenas no dia 01 de fevereiro de 2020. Após o primeiro mês, o país apresentava números ainda baixos de contaminação (84), taxa de mortalidade igual a 0, contabilizando também apenas 2 casos de recuperação.


Neste mesmo ritmo, nos Estados Unidos, o primeiro caso foi reportado no dia 22 de janeiro de 2020, antes que os demais países. Assim, após o primeiro mês, o país apresentava números muitos baixos de contaminação (15), taxa de mortalidade também igual a 0, contabilizando já 5 casos de recuperação.


Já o cenário brasileiro, no primeiro mês, não mostra valores favoráveis, comparado aos demais países. Conforme apresentado nesta última análise, no primeiro mês, o Brasil chega a contabilizar valores, taxa de contágio (2985) e taxa de mortalidade (77) bem superiores ao do primeiro mês de contágio da Itália. Além disso, um baixo número de pessoas recuperadas (6). De forma ainda mais preocupante, a curva epidemiológica deste primeiro mês se apresenta em alta ascensão de forma abrupta.

Surpreendentemente, os Estados Unidos e a Espanha obtiveram pequenos avanços no primeiro mês de cada país. No entanto, além dos resultados apresentados nas últimas duas seções deste artigo, já é noticiado as situações críticas de contagio e mortes que esses países vivenciam.

Conclusão

Não discutirei neste artigo sobre medidas de isolamento ou questões relacionadas à política, cultura ou cenário social-demográfico e econômico de cada país.

Entendo que o principal objetivo deste artigo seja apresentar dados, provenientes de fatos já computados por cada país. Me atendo apenas a mostrar resultados da nossa situação atual, de forma analítica e comparativa aos demais países.

Desta forma, deixo livre às críticas e reflexões sobre o futuro de nossas decisões e necessidades relacionadas às medidas preventivas e isolamento social para contenção da pandemia de Covid-19.

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