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Educação e Tecnologia em tempos de pandemia

por: Carlos Natale

A pandemia do coronavírus tem afetado o mundo inteiro.  Nesse momento, a segurança das pessoas é o mais importante e o colapso no sistema de saúde é a maior dificuldade enfrentada por todos os governos no mundo. Porém, além da saúde, todos os setores da economia passam por mudanças significativas, o que afeta consideravelmente a rotina das pessoas.

A educação também está se movimentando para lidar com as mudanças exigidas por essa nova ordem. Como lidar com milhões de alunos, de todos os níveis, que estão em casa?

Nas escolas públicas, onde a maioria dos alunos estão matriculados, os desafios são imensos, pois é nesse grupo em que os socialmente mais vulneráveis se encontram. O Estado não consegue oferecer sequer, condições de saneamento básico e acesso à saúde, e no meio desta crise, a educação fica ainda mais vulnerável e deixada em segundo plano. Nas instituições particulares, os desafios são grandes e com um ingrediente a mais, não são só instituições de ensino, mas também são empresas.

O cenário da educação no Brasil não é simples. Em escolas públicas sucateadas, tecnologia nunca foi uma prioridade e, esse cenário, não mudará em alguns meses. Infelizmente, para a maioria dos alunos matriculados em escolas públicas, o primeiro semestre letivo de 2020 está praticamente perdido, ou seja, alunos, professores, pais e funcionários administrativos terão que se desdobrar para conseguir cumprir o calendário 2020, ainda em 2020.

Nas instituições de ensino particulares, o desafio é entregar o que foi contratado e suprir expectativas de pais e alunos. Os professores e as escolas estão se esforçando e criando alternativas. É um grande momento de aprendizado para todos, mas também, é o momento para se destacar no mercado, pois as instituições que se saírem melhor, terão demonstrado, na prática, que podem gerenciar crise e se adaptar muito rápido em cenários adversos.

O fato é que as instituições de ensino estão se movimentando e tentando criar soluções para diminuir o impacto causado pelo seu fechamento físico.

Como a tecnologia pode ajudar?

Existem diversas tecnologias que têm por objetivo encurtar distâncias e aproximar pessoas. Na educação, essas tecnologias estão aproximando os alunos e professores, mas só isso não é suficiente.

Sem dúvida, as ferramentas que se destacam no Brasil e no mundo como alternativa às aulas presenciais são o Bigbraim da Microsoft e o Classroom da Google, ambas ferramentas pagas e extremamente completas. O Moodle aparece como uma alternativa gratuita, de código aberto, que é extremamente difundida, sobretudo em Universidades Públicas.

Além de ferramentas próprias como as citadas, as escolas têm utilizado outros softwares e aplicativos de comunicação para manter contato com os alunos. WhatsApp, Skype, Hangouts e Youtube são alguns dos exemplos.

A educação, pressionada a mudar, pode levar a inovações surpreendentes

O ritmo lento de mudança nas instituições acadêmicas em todo o mundo é lamentável, com abordagens centenárias de ensino baseadas em palestras e salas de aula obsoletas. No entanto, o COVID-19 tornou-se um catalisador para instituições de ensino em todo o mundo procurarem soluções inovadoras em um período de incertezas.

As escolas no mundo inteiro estão ressignificando o termo ‘ensino à distância’.  Podemos dizer que, agora, as aulas são realmente digitais. O aprendizado presencial tradicional em sala de aula será complementado e alterado com novas modalidades de aprendizado – de transmissões ao vivo, com professores sendo ‘influenciadores educacionais’, ao uso de experiências de realidade virtual. Essa aprendizagem pode se tornar um hábito integrado às rotinas diárias – um verdadeiro estilo de vida.

Essa ideia é corroborada pela visão da Diretora Executiva do grupo Cotemig de Belo Horizonte, Moema Sant’Anna Belo.

“ Ficamos por um grande período, assistindo discursos que comparavam a semelhança das salas de aula de 100 anos atrás com as salas de aula de hoje. Artigos, palestras e debates sobre metodologias ativas, mudanças em layouts de salas de aula etc., mas sempre soava para as escolas como propostas descabidas ou teorias que não tinham como ser aplicadas à realidade brasileira. Atrelada à Indústria 4.0, todos cobravam das instituições de ensino uma Educação 4.0, que não parecia ser possível, justificada pela impossibilidade de mudar a mentalidade dos professores, ou de fazer com que os alunos passassem a aprender de uma nova forma, ou da necessidade de altos investimentos em infraestrutura. ”

Sobre o momento em que vivemos, Moema reflete que,

“a pandemia impôs o fechamento das escolas, e que, provavelmente, serão os últimos espaços a serem reabertos, pois as salas de aula padrão no Brasil possuem 1 aluno por m². Isso pode significar mais de 3 meses de escola fechada. Então, só restam duas opções: ou a escola se transforma ou para no tempo e espera a pandemia passar.  E as escolas que estão conseguindo se ressisgnificar, não poderão mais retroceder. Os professores estão tendo que mudar a mentalidade de que aulas só são produtivas no formato “ator e plateia”, os alunos estão descobrindo que precisam ser responsáveis com a evolução dos conteúdos das disciplinas ou serão deixados para trás, e as escolas percebendo que o maior investimento que poderia ter sido feito era na capacitação de seus professores para que adquirissem uma fluência digital.” 

O abismo digital pode aumentar

A maioria das escolas está encontrando soluções para o ensino continuado, mas a qualidade do aprendizado depende muito do nível e da qualidade do acesso digital. Afinal, apenas cerca de 60% da população do mundo está online. Embora as aulas virtuais em tablets pessoais possam ser a norma em Hong Kong, por exemplo, muitos estudantes de economias menos desenvolvidas dependem de lições e tarefas enviadas por WhatsApp ou e-mail.

Além disso, quanto menor poder aquisitivo têm as famílias e quanto menos conhecimento digital, mais seus alunos são deixados para trás. Quando as aulas fazem a transição para on-line, essas crianças perdem devido ao custo de dispositivos digitais e planos de Internet banda larga.

A menos que os custos de acesso diminuam e a qualidade do acesso aumente em todos os países, a lacuna na qualidade da educação será ainda mais exacerbada, devido à desigualdade socioeconômica. Essa divisão digital pode se tornar ainda mais extrema se o acesso educacional for ditado pelo acesso às tecnologias mais recentes.

Vamos torcer para que, quando o COVID-19 não for mais uma ameaça, as inovações e a tecnologia que ajudaram nossos alunos e instituições de ensino a prosseguir, se tornem ferramentas comuns na grande tarefa de educar.

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